Monte das Lages, Alentejo: um fim de semana de girls que soube a pausa, sol e conversas que ficam

Há uma diferença subtil entre ir embora e sair do sítio certo na altura certa. No Monte das Lages, essa diferença fica clara logo no primeiro dia. Fomos para o Alentejo num fim de semana de girls, com a intenção simples de parar, e com aquela expectativa meio escondida de que, quando juntamos mulheres, parar nunca é exatamente parar, é outra coisa, é um descanso que vem do movimento, do riso, das conversas que se esticam mais do que o previsto...
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Há uma diferença subtil entre ir embora e sair do sítio certo na altura certa. No Monte das Lages, essa diferença fica clara logo no primeiro dia.

Fomos para o Alentejo num fim de semana de girls, com a intenção simples de parar, e com aquela expectativa meio escondida de que, quando juntamos mulheres, parar nunca é exatamente parar, é outra coisa, é um descanso que vem do movimento, do riso, das conversas que se esticam mais do que o previsto.

O Monte das Lages tem isso, não tenta ocupar-te, dá-te espaço, e esse espaço acaba por fazer tudo, casa ampla, natureza à volta, piscina pronta para dias longos, e um silêncio que não pesa, acompanha.

Chegámos devagar, como se o próprio sítio nos pedisse isso, malas pousadas sem pressa, portas abertas, uma garrafa que aparece antes de qualquer decisão prática, e de repente já ninguém quer saber de horas, porque no Alentejo o tempo não desaparece, dilata.

Os dias começaram a organizar-se sozinhos, acordar sem despertador, pequenos-almoços que passam a meio da manhã, almoços que entram pela tarde dentro, jantares que não se definem por hora, mas por vontade, sempre com comida boa, partilhada, repetida, saboreada sem pressa.

Fizemos tudo aquilo que parece pouco quando se diz, mas que afinal é tudo quando se vive, jogos de tabuleiro que rapidamente deixaram de ser sobre ganhar, conversas interrompidas por gargalhadas, gargalhadas que começam sem motivo e ficam.

Houve piscina, sol, calor daqueles que pede corpo presente, mergulhos sem cerimónia, toalhas esquecidas, pele quente e aquela sensação rara de não estar em lado nenhum a não ser ali.

E depois há as conversas.

As conversas de mulheres, que não têm início nem fim definidos, começam numa coisa pequena e, sem dar conta, já estão no essencial, na vida, nas dúvidas, nos planos, nas certezas que ainda estão a ser construídas, tudo dito com uma honestidade que o dia-a-dia nem sempre permite.

É uma espécie de terapia que não se assume como tal, não tem método, não tem estrutura, não tem hora marcada, mas acontece, acontece porque há tempo, porque há espaço, porque há escuta, e porque, no meio disso tudo, há verdade.

Ser funny and fun aqui não é um conceito, é comportamento, é rir alto, é implicar sem filtro, é comer mais um bocado sem negociação interna, é estar inteira, sem esforço.

O Monte das Lages acaba por ser o cenário certo para isto tudo, não pela quantidade de coisas que oferece, mas pela forma como permite que tudo aconteça, naturalmente, sem ruído, sem pressa, sem interrupção.

Quando fomos embora, levámos mais do que um fim de semana no Alentejo, levámos aquele tipo de pausa que não se mede em dias, mede-se na forma como voltamos, mais leves, mais presentes, mais nós.

E talvez seja isso que se procura quando se pensa em onde ficar no Alentejo, não apenas um espaço bonito, mas um lugar que permita isto, abrandar sem esforço e viver com intenção.

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