Sim, é verdade, endoideci e ninguém deu conta disso.
Enquanto escrevo a minha garganta está a ficar seca do nervosismo daquilo que estou a fazer.
Resolvi escrever-vos sobre a escritora das escritoras. “A” escritora da minha geração e de todas as outras que a vão descobrindo.
A agitadora de mentes que usa como única arma o amor às palavras e o quanto as deixa fluir ao ponto em que todas elas nos entrem no coração e se encaixem como se fossem nossas-sejamos nós avós, país ou filhos.
Vou falar-vos deste icónico nome Farense daquele grupo de amigas conhecido por todas as redondezas, as “GDF”.
Sempre lhe apontaram tantos dedos, dedicaram tantos olhares e esteve sempre presente em tanta conversa de café que resolvi ir ao encontro dela para a conhecer.
Esta miúda é boa de mais para ser real- Cabeça, tronco, membros e uma alma que transcende a realidade.
A Inês que leio desde que cresço e que todos os dias me ajuda também um pouco a crescer.
Bem, bora lá acho que estou pronta a falar-vos desta revolucionária de chama acesa, que arregaça as mangas e não se deixa ficar. A quem pouco importa o politicamente correto, aliás, desconfio que desconheça muito dos meandros do que isso implica.
Filha de um músico sem lei, feito de poesia, em contraste com uma mãe professora a quem faz perder a cabeça para a ajudar também tantas vezes a se encontrar.
A Inês é um ícone geracional, terá ela essa consciência, ou está tão preocupada em mudar ideais que se esqueceu do seu valor?
É a única responsável pelo seu blog “Quero-te Inês” que conta com milhares de visualizações e seguidores. E não havia nome mais adequado para a ler, a verdade é que são tantos os que a querem que mesmo que o “Google” seja ignorante e não lhe reconheça o valor de cada palavra que connosco partilha, porque contêm “linguagem pouco apropriada”, são dezenas aquelas que a plagiam na tentativa frustrada de serem interpretadas com aquelas mesmas mensagens. Que idiotice, roubar palavras é quase como se um ladrão andasse encapuçado a assaltar almas e vozes. Tantas pessoas que têm de perceber que a força interior é o maior bem pessoal e intransmissível que temos.
E a Inês é feita disso. Pouco nos conhecemos mas daquilo que imaginava, previa uma arrogância e um nariz tão empinado que rapidamente me iria fazer perder a vontade de escrever sobre ela e para ela. No entanto, voltou a surpreender-me, quase tanto como quando leio os seus textos e me arrepio só de pensar na capacidade que um ser que não me é nada, me consegue dizer tanta coisa.
Mais uma jovem que obviamente não consegue viver da escrita. Mais uma pessoa tão boa naquilo que faz mas que mesmo assim não se consegue autossustentar ao fazê-lo.
E por isso mesmo enquanto partilha músicas ou frases com a maior descontração de sempre, como se a vida lhe corresse sempre bem e fosse tudo uma enorme leveza, tirou uma Licenciatura em Educação Social, a essa seguiu-se uma pós-graduação e encontra-se a finalizar a sua tese de mestrado.
No decorrer de tudo isto é uma mulher independente, mora sozinha e autossustenta-se fazendo o necessário para que isso seja possível sem ter de sobrecarregar os pais.
Que estranho, uma miúda que tinha tudo para ser tão cheia de si, querer ter uma vida dedicada a ser cheia de outros, quão irónico isto é?
Sempre trabalhou, fosse a fazer o que fosse.
A sua maior companhia é o whisky, um cão que ou muito desconfio, ou é o amor da sua vida.
Tem uma paixão avassaladora pelos seus pais e ainda que aos catorze anos não percebesse o porquê de ter de crescer a ouvir Beatles, Queen, Lep Zeppelin, Bob Dylan, Ninna Simone, Bob Marley, Jimmy Hendrix, agora garante que isso, entre tantas outras coisas “a moldaram como mulher e futura adulta”.
A Inês tem 23 anos e conhece o amor de trás para a frente. O amor, os conceitos de família, de perseverança, educação, amizade e sobretudo é feita de uma ânsia de viver que essa sim deveria ser plagiada por metade desta geração.
Esta menina tem tudo para fazer muita gente grande sentir-se pequena e é essa a sua magia.
Obrigada Inês, continuarei a aprender contigo.






