Bem lá vai o tempo onde cerrávamos os dentes, erguíamos as mangas e íamos à luta.
É ao longe que se vê os tempos onde nos movíamos pelos ideais que criávamos e não pelo hipoteticamente correto e o moralmente bonito, como se faz agora.
Lá – onde se choravam verdadeiras lágrimas de emoção pelo prazer de o fazer, onde se defendiam identidades individuais e se formavam cabeças pensantes que não se limitavam a ser movidas e se davam ao luxo de por si pensar.
Agora cultivamos-nos- Ao nosso o corpo e ao nosso bronzeado.
Achamos que é tempo bem gasto aquele que perdemos a pavonear-nos acerca do que fazemos e acerca daquilo que nos veste, quando o que verdadeiramente importa é o que se passa quando a alma está despida.
Vivemos num país cada dia mais pobre de tudo.
Já a minha avó me dizia à lareira, nas noites de inverno ao som do grande Zeca: “sabes filha, o primeiro milho é para os pardais”. Mal sabia eu o certo que ela sempre esteve, aliás, como sempre estará.
Vivemos rodeados de pardalecos que se vangloriam do tão pouco que têm e que, na maioria das vezes, só o dinheiro lhes deu.
Andamos a passear pela rua em buscar de animais virtuais e quando os ganhamos não temos absolutamente nada mais senão “mais”.
Não será excessiva esta busca incessante por uma perfeição construída no vizinho do lado?
É tempo de fazermos tanto por nós como gostamos de fazer por e para os outros.
Tempo de nos mostrarmos, de nos fazermos ouvir, de individualmente termos opiniões estruturadas e capazes de irem mais além que o terraço que fica à nossa esquerda.
O amor-próprio existe e deve ser a nossa maior conquista pessoal diária: Encontramo-lo junto ao respeito, à lealdade e ao desejo de sermos mais e melhor.
O amor fica no sítio mais bonito que cada um tem: O coração.
Faz de tudo para que o teu sempre bata com toda a emoção possível por bater.