Bem, de há uns dias para cá que se lê Dia da mãe por todo o lado.
Antes de tudo, o meu Dia da mãe são todos os dias. Todos os momentos, está em todas as caras e em cada virar de uma nova esquina.
Cruzo ruas, apanho transportes e lá está ela, com toda a sua vitalidade, a sua voz, a sua energia e boa disposição e é assim que todos os dias, são dias dela.
Em todos os momentos a vejo, em mim a revejo e há tantas vezes que a procuro nos gestos que teria.
Cada ação minha é feita com base nas palavras que ela me diria. Nas tantas lições que me deixou, na enorme senhora que sempre foi ao longo de toda a nossa vida. Sim nossa, porque enquanto eu viver ela irá sempre cá estar.
Mas sabem, em tom de desabafo, começa a custar ouvir “no dia da mãe” isto e aquilo.
Sim é certo que a sociedade criou um Dia da mãe, Dia do Pai e do Espirito Santo para alimentar este consumismo exacerbado que não tem limites, mas quando não se vê, doí, sabiam? E eu não preciso necessariamente de encontrar a minha mãe tanto em montras dos supermercados, nas embalagens de chocolates gigantes, como em livros com frases inspiracionais de lana-caprina “ideais para ela”.
Eu terei sempre mãe, terei sempre a melhor. Terei sempre a que lutou pela vida até depois do corpo se encontrar morto. Terei sempre a minha inspiração e motivação e será sempre ela a pessoa mais importante da minha vida, mesmo que já não se encontre neste mundo.
Mas custa, custa saber que o dia 1 de maio será por mim recordado como o dia em que o outro telefone não vai atender. O dia onde não posso apanhar seja qual for o transporte para chegar perto dela e que só com o tempo a poderei (re)encontrar.
Estou serena, claro, acredito todos os dias que está num sítio bem melhor que este.
Um lugar onde não criam “dias” que nos lembram o dia que mais queremos esquecer.
Onde as horas se confundem pela paz em que se vive. E sobretudo onde ninguém perde ninguém com a força que a natureza tentou que eu a perdesse.
Sim, tentou, porque a mim ninguém me tira o bem mais precioso que tenho, a minha inspiração, aquela que transporto todos os dias comigo, em alma e com o coração.
Não me façam é apenas recordar forçosamente que ainda vou levar algum tempo para nos voltarmos a cruzar.
Mas eu sei, eu sei tão bem, que quando nos encontramos por ai, irei vê-la tão bonita e feliz e é ai que conseguirei dar-lhe todos os beijinhos em atraso, de todos os dias da mãe que se irão ainda passar.