Paz podre, paz industrializada

Que mundo é este? “Querida filha, vives num mundo onde a qualquer momento uma bomba rebenta, ou um “bando” de terroristas pode entrar no teu sonho, bombardear tudo ao teu redor e acabar com a tua felicidade, em segundos. Sangue, lágrimas, corações que não sopram, não vivem, não sentem mais” – porque não me avisaram os meus pais disto, enquanto cresci? Porque é que todo o mundo implora hoje por uma paz, se lhe respondemos com guerra? ...
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Que mundo é este?

“Querida filha, vives num mundo onde a qualquer momento uma bomba rebenta, ou um “bando” de terroristas pode entrar no teu sonho, bombardear tudo ao teu redor e acabar com a tua felicidade, em segundos. Sangue, lágrimas, corações que não sopram, não vivem, não sentem mais” – porque não me avisaram os meus pais disto, enquanto cresci?

Porque é que todo o mundo implora hoje por uma paz, se lhe respondemos com guerra?

Porque é que num dia “somos todos Charlie”, passado uns tempos “somos todos Paris” e ninguém se lembra que temos apenas que ser todos humanos?

Bombas não se resolvem com armas e tiroteios. Mortes e violência não se quebram com ainda mais violência, ódios e rancores.

Somos todos feitos da mesma massa. A que sente.

Um muçulmano não é um bombista, nem um católico é um santo. A maldade não vem da religião, vem do ser.

Não quero deixar de sofrer, mas quero sofrer tanto por Paris como por Beirute. Não quero sofrer apenas por mim e “pelos meus” que por lá ficaram. Quero sofrer pela perda de seres, não só pelo Sr. Manuel que por lá passára ou pela Mariana que não chegou “por milagre”  a entrar.

Se rezarmos, rezemos por todos. Pela dor, não pela proximidade.

A guerra é a mesma, e só se solucionará quando entendermos que a minha dor é a dor dos refugiados queFUGIRAM disto e a mesma dor que a população de Beirute, que viveu algo tão aterrorizador e similar. O medo não é um sentimento exclusivo Europeu. E neste momento qualquer pessoa que vive, tem medo de a qualquer momento poder deixar de viver.

O mundo é geral, enquanto o virmos apenas a circundar o nosso umbigo, a nossa resposta será sempre a mesma: Guerra.

A conversinha do “Deus, Pátria e Família” é um máximo mas já não convence ninguém, nem detém porra nenhuma. Vamos inverter o jogo, experimentar viver por todos e depois então por nós.

Juntos somos tantos nesta luta pela paz.

Deixemos de ser todos “qualquer coisa” para passarmos, finalmente, a ser todos “alguma coisa” – Humanidade.

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